A sociedade em que vivemos


Acompanho o que o Joshua Becker escreve há já algum tempo (praticamente desde que comecei a ler sobre minimalismo) e quando outro dia comecei a ler este post bastou-me ler um parágrafo para começar a escrever e só parar quando escrevi tudo o que me veio à cabeça sobre o assunto:

“Unfortunately, most people think more money is the answer. And while there may be some truth to this solution, most of us would readily admit that our most basic needs (food, shelter, and clothing) are financially covered. It appears then that most of our financial troubles are not based in need, but in cultural expectations—that because we live in a society based almost entirely on consumption and the promotion of it, we have too subtly bought into the lies and built our lives upon them far more than we realize.”

Com o minimalismo acabei por poupar imenso dinheiro. E agora percebo quando vejo alguns minimalistas que deixam de trabalhar para viajar e outros que vivem com metade ou menos do salário que ganhavam antes. Não é uma questão de pobreza voluntária, não é uma questão de fazer sacrifícios (eu provavelmente fazia mais sacrifícios antes porque me forçava a poupar para ter isto ou aquilo), é uma questão de foco e de mudança de mentalidade!

Não tenho a necessidade que tinha de estar sempre a comprar, ou porque mereço, ou porque posso ou porque não tenho mais nada para fazer e então vou até ao shopping. Isso desapareceu simplesmente!

Compro quando preciso mesmo, faço listas de coisas que quero comprar e deixo-as passar o teste dos 30 dias (a não ser que seja algo absolutamente necessário) e a maior parte das coisas não passa o teste (sobretudo no início quando comecei a fazê-lo). Além disso, como não tenho pressa nem tenho que acompanhar as últimas tendências e os últimos modelos de tudo, espero até encontrar mais barato. Pois afinal não tenho pressa.

Vivemos numa sociedade que nos está constantemente a exigir mais e mais! Para termos uma vida considerada “normal”, “decente”, “digna”, “aceitável”, temos que ter o que os outros consideram o padrão. É mentira! A vida somos nós que a fazemos!

Eu sei que agora seria difícil vivermos sem carro por exemplo, e aí tudo bem, não acho que o carro seja considerado uma extravagância, agora muitas das necessidades que as pessoas têm não são necessidades. Não me venham a dizer que uma criança de 7 anos tem que ter um tablet porque passou de ano e já tem um telemóvel xpto desta idade, não me digam que têm que andar em colégios privados e que têm que ter roupa de marca para serem mais felizes. Porque isso é mentira! Não me venham dizer que não sabem o que vestir quando têm os armários cheios de roupa! E não me venham dizer que não têm dinheiro para coisas básicas, como pagar a prestação/renda da casa e alimentação quando pagam uma mensalidade de 60€ ou mais num ginásio!

Por dinheiro as pessoas fazem sacrifícios enormes, aguentam trabalhos horríveis que só prejudicam a saúde, outras emigram e deixam a família (marido e filhos) cá porque não conseguem aguentar com as despesas. Eu percebo que haja pessoas que não conseguem de facto e conheço casos assim, mas também conheço outros em que não é nada assim, as pessoas simplesmente querem viver acima das suas possibilidades! Querem ter a vida que os outros têm, querem ser iguais!

Há uns tempos numa conversa sobre a possibilidade de um dos cônjuges trabalhar perto ou longe de casa, eu referi que no meu caso preferiria perto, pois prefiro a família ao dinheiro, nem que tivesse que viver com metade do que vivo hoje. A pessoa A concordou comigo mas a B não! Disse quase de caras que o dinheiro era mais importante! E neste exemplo em concreto, sei que são pessoas que não precisam! A pessoa B viaja imenso, está sempre fora, vem cá com frequência aos fins-de-semana mas é só isso, está sempre fora! Eu entendo que as pessoas gostem dos seus trabalhos, gostem de viajar mas quando derem conta o tempo passou, não viram os filhos crescer, apenas se dedicaram ao trabalho para lhes dar tudo o que precisam mas esqueceram-se do mais importante que é estar presente na vida deles!

Quando há pais que me dizem que não fizeram isto ou aquilo (coisas absolutamente necessárias) para os filhos porque não tiveram tempo eu penso mesmo “que raio?!”. Tens tempo para arranjares 1001 compromissos, para estares sempre a fazer compras, para tirares não sei quantos cursos e não tens tempo para o teu filho? Então para quê que tiveste filhos? Foi por ser mais uma “obrigação” da sociedade? Para riscares um item da tua checklist?! Juro que não percebo e fico passada com certas coisas. Pior do que isso, não fazem o seu trabalho como pais e ainda exigem que outros o façam…

Há coisas que me revoltam profundamente e a forma como vivemos hoje em dia tem coisas absolutamente estúpidas. Eu acredito que no final das suas vidas as pessoas vão pensar em muitas das coisas e vão desejar que tudo tivesse sido diferente. Eu acredito que lá no final vai pairar sobre as suas cabeças uma luzinha!

E acho sinceramente que isto acontece porque as pessoas não pensam sobre as coisas, não reflectem, apenas se limitam a viver, a fazer o que tem que ser (acham elas), o que a sociedade dita. Depois os que vivem de forma diferente é que são os malucos! Maluco é quem vive assim! E ainda bem que sou e penso de forma diferente!

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