Go slowly: “You don't have to have everything figured out"


As “go slowly” são pequenas dicas que podemos implementar no nosso dia-a-dia que nos permitem viver de forma mais lenta, relaxada e feliz. Fazem-nos ver a vida de outra forma e ensinam-nos a valorizar as pequenas coisas. Vamos a mais uma dica?

Esta é uma das lições que o Matt aprendeu ao longo da vida. Não consegui arranjar uma boa tradução para expressar exactamente isso, então preferi usar o inglês. Se não conhecem o Matt Madeiro passem por aqui, vale bem a pena.

Quando era mais nova sabia exactamente o que queria fazer quando “fosse grande”. É certo que essas certezas não eram imutáveis. De x em x tempo mudavam, mas quando queria uma coisa era aquilo e pronto. Curioso é que eram muito ligadas à vida profissional. Acho que só pensava nessa parte sinceramente. Sempre me quis dedicar só ao trabalho e apesar de gostar muito da minha família, nunca tive como objectivo de vida casar e ter filhos. Isso nunca foi um sonho, uma prioridade.

Durante a adolescência/juventude, sempre me fez muita confusão quando percebia que as pessoas me olhavam de lado ou pensavam “coitada aquela não tem namorado”. Parecia que me faltava algum membro! Nunca percebi nem nunca hei-de perceber isso! Claro que quando temos alguém, se esse alguém nos completa, nos faz mais felizes óptimo, melhor impossível! Agora se é para estarmos com alguém só por estar sinceramente não vale mesmo a pena! E não somos menos do que os outros, por isso! Aliás muitas pessoas são efectivamente muito mais felizes se estiverem sós! Estar só não é o mesmo que solidão, embora muita gente acredite que sim (e sobre isto aconselho a leitura deste post de um blog que considero maravilhoso).

Adiante... as minhas prioridades mudaram, a minha forma de ver a vida também. Escolhi o meu curso com um determinado objectivo que depois acabei por não cumprir. Comecei a trabalhar numa área muito diferente, da qual nunca pensei gostar e até gostei. Mas nunca mais tive certezas como antes, nunca mais pensei "é isto que quero fazer toda a vida".

Depois veio a desmotivação, a vontade de mudar, de fazer outras coisas. Mudei e ainda não posso falar muito sobre a experiência actual pois é recente, mas acho cada vez mais que não vou ter mais certezas como antes, não vou de repente descobrir a minha paixão e dizer “É isto que quero fazer o resto da vida! Nasci para isto”. Primeiro, porque isso até pode não existir; segundo porque se de facto existir não vou ficar a pensar nisso e deixar de viver o momento presente, apenas focada nesse objectivo. Vai-se experimentando e vai-se vivendo :)

Há uns tempos li um post do Leo Babauta sobre isso mesmo, sobre o facto de estarmos toda a vida à espera de algo e de não aproveitarmos o agora. Limitamo-nos a fazer planos para o futuro, definimos objectivos e corremos atrás de um e depois do próximo e depois do seguinte e esquecemo-nos de viver. Esquecemo-nos de olhar à nossa volta e de ver como a vida já é totalmente perfeita agora!

O quero dizer com isto tudo é: nem sempre sabemos bem o que queremos da vida ou temos apenas uma vaga ideia e isso não tem mal nenhum! A sociedade em que vivemos é que cria esta ideia de que temos que ter objectivos e etapas definidas.

Primeiro temos que estudar e arranjar um bom emprego, depois compramos uma casa e decoramos da forma xpto, depois casamos, depois fazemos diversas viagens para aproveitarmos enquanto não temos filhos (fica sempre bem viajar e dizer que conhecemos bem os 4 cantos do mundo), depois temos filhos e só fazemos a viagem x todos os anos, depois dedicamo-nos à família e ao trabalho.

Mas temos mesmo que nos dedicar ao trabalho, temos que ter uma carreira, temos que ser importantes, temos que ser "alguém", mesmo que para isso tenhamos que passar menos tempo com os filhos. Trabalhamos mais para ganharmos mais dinheiro para podermos pagar uma ama ou um colégio e para lhes podermos dar iPads, iPods e consolas, para que eles fiquem entretidos e não chateiem ninguém!

Não tem mal nenhum não quereremos nada disto, não tem mal nenhum sermos diferentes, não tem mal nenhum se não nos quisermos definir pela profissão que temos (“Olá, como te chamas? E o que fazes?” como se o trabalho fosse a coisa mais importante do mundo), não é o trabalho/emprego que nos define, quem nos define somos nós e nós somos o que quisermos ser!

Não sei o que quero fazer daqui 2 anos, não sei onde estarei nos próximos 5 ou 10, mas isso não interessa...

Estou bem onde estou e só quero continuar aqui. Se daqui a 10 anos estiver assim, estou bem! Só tenho um objectivo de vida e esse é ser feliz! Quanto a isso, posso pô-lo em prática já e todos os dias da minha vida! 

Viva o goal-free e o AGORA!

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