Fashion Revolution: como comprar roupa de forma sustentável?

23 fevereiro 2017


Desde que vi o filme The true cost que muita coisa mudou! Estou decidida a fazer parte do movimento "Fashion Revolution" e vou apenas apoiar marcas que sejas ecológicas e éticas. Já há muito que tinha essa vontade mas a verdade é que com o corre-corre do dia-a-dia vamos optando pelo mais fácil. É certo que já não compro roupa há algum tempo e os meus hábitos de consumo mudaram imenso nos últimos anos, mas continuava a ir às lojas que toda a gente vai, afinal estão em todo o lado, em cada esquina há uma, os preços são acessíveis, a publicidade atractiva (nas últimas colecções o estilo predominante é o minimalismo!), portanto tudo me levava também a comprar nessas lojas. Depois do filme? Não consigo mais! É como se entrasse numa loja e visse as pessoas que estão nas fábricas a trabalhar naquelas condições, a poluição que daí resulta, o mal que os químicos fazem ao ambiente e às pessoas que trabalham e habitam ali perto!

Simplesmente não consigo ficar indiferente e não consigo compactuar com este tipo de negócios! Portanto não vou apoiar mais nenhuma destas lojas! (ainda que algumas tenham peças produzidas em Portugal, sabemos que a maioria das peças não é produzida cá e portanto estamos a compactuar com o negócio em si e dar dinheiro a empresas que simplesmente não garantem as condições mínimas para os seus trabalhadores).




Enquanto antes tínhamos cerca de 4 colecções por ano, agora são cerca de 52! Ou seja, todas as semanas há colecções novas nas lojas!
A moda altera-se a um ritmo demasiado rápido e nós compactuamos com isso, pois estamos sempre a comprar e a seguir as tendências, tratamos a roupa como algo descartável e nem sequer nos preocupamos em pensar quem fez aquelas roupas, o que aconteceu até ao momento em que as roupas chegam até nós através das lojas... Uma vez numa feira de segunda mão uma senhora disse-me que o seu filho não queria nada usado porque tinha receio que a roupa estivesse suja, eu disse-lhe que o filho precisava de conhecer as condições das fábricas onde a roupa é feita... talvez assim mudasse de ideias e passasse a preferir a que já foi lavada algumas vezes... nós não fazemos ideia do que está por detrás! Se me disserem "sim, sei como funciona mas mesmo assim prefiro comprar". Não compreendo mas aceito, pelo menos sei que a pessoa não está enganada e está a tomar uma decisão com consciência. O mesmo se passa com a indústria da carne e das peles... Se as pessoas souberem o que se passa e mesmo assim quiserem compactuar com isso, tudo bem, mas pelo menos sabem o que se passa! Depois cada um é livre de fazer o que quiser com essa informação.
A partir de agora só faço compras éticas/sustentáveis e isto pode passar por:

  • comprar peças em segunda mão
  • comprar peças de materiais sustentáveis do ponto de vista ambiental
  • comprar peças produzidas em Portugal/com materiais de origem nacional
  • comprar preças éticas tendo em conta a mão-de-obra e as condições em que esta se encontra
Nem sempre conseguimos conjugar isto tudo! Então devemos dar o nosso melhor e avaliar qual a melhor solução em cada uma das situações! Neste momento tenho optado por comprar peças em segunda mão. Tem sido mais fácil pois assim continuo a comprar peças de marcas que já usava antes, ou seja, sei exactamente os tamanhos e os modelos que me ficam bem e fica mais fácil comprar pela internet por exemplo. Além disso, comprar em 2ª mão é de facto o mais sustentável possível, pois as peças já foram feitas, logo, não serão gastos mais recursos!

Tenho estado a trabalhar numa lista de lojas de roupa/casa e outros itens variados. Nesta lista podem encontrar lojas em 2ª mão, lojas com produtos sustentáveis e lojas que produzem peças made in Portugal. A lista ainda não está finalizada! O objectivo é mesmo ir melhorando e acrescentando mais informação, mas assim partilho-a já. Aqui está ela!




imagens daqui 

25 comentários:

  1. Aos poucos também tenho vindo a ganhar mais consciência sobre isto, mas é tão complicado gerir isto. Evitar comprar porque as coisas são giras (ok, a razão mais fútil) e não comprando em outras porque geralmente são mais caras. Também ando a ver se descubro mais lojas 100% nacionais, mas vivendo no Algarve tudo se situa de Lisboa para cima, praticamente, o que complica.
    No entanto, ando a desafiar-me para evitar comprar tanto quanto comprava! E aproveitar mais o que tenho, para reduzir o (meu) consumismo e consequentemente contribuir para esse tipo de coisas.
    Ótimo post! Importante alertar para este tipo de coisas porque lá está, há quem não tenha de todo noção.

    Automatic Destiny

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    1. Obrigada Rosana :)
      Eu compro imenso no OLX e há coisas giras e das lojas que estamos habituadas... foi a forma mais fácil para mim porque conheço as marcas e os tamanhos. Por exemplo, ainda não consegui encontrar uma marca sustentável de calças de ganga que tenha loja física e calças tenho mesmo que experimentar, pois tenho dificuldade em encontrar modelos que fiquem bem! Então comprando em segunda mão das marcas que já usava resolvo este problema. Vou andando e vou vendo, para mim é tudo novo também :)
      E o importante é estarmos conscientes! Até podemos comprar nessas lojas mas temos plena consciência daquilo que estamos a fazer!

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  2. Olá Ana, excelente post! :)
    queres que acrescente lojas que conheçamos, produzidas inteiramente cá (quase artesanato) e aiknda por cima, de forma ecológica? conheço 2. Duma delas, a que conheço melhor, sou fã, as coisas são lindas e assentam mesmo bem!

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  3. Acrescentar no ficheiro, isto é... se é que é possível.

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    1. Claro que sim, acrescenta à vontade e obrigada :)
      Beijinho

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    2. Olá Ana,
      Por alguma razão não consigo editar... mas deixo aqui o link da Naz, tem página de Facebook:
      https://www.facebook.com/NAZ.clothes/?hc_ref=NEWSFEED&fref=nf
      Beijinhos,

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  4. Adorei o post e a lista! Muitos parabéns! E obrigada pela partilha! :)

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  5. Olá Ana, sabes de alguns sites ou comunidades onde se possa comprar roupa em segunda mão? Alguma loja que recomendas ai no Norte?
    Grata e bom fim-de-semana!
    Beijinho

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    1. Olá, é isso mesmo que está no ficheiro partilhado :)
      Tens lá várias lojas com coisas em segunda mão no Porto. Recomendo por exemplo a Ornitorrinco.
      Se tiveres alguma dificuldade avisa.
      Beijinho

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  6. Este é um tema que também me preocupa, mas com crianças às vezes não é fácil. Consigo alguma roupa em 2ª mão, mas também a tenho de comprar, nesse caso as lojas mais baratas são mesmo tentadoras!
    Gostava de ver esse documentário, há em Português?

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    1. Olá Maria, há imensas coisas de crianças em 2ª mão! Diria que é o que há mais, pois muitas coisas são usadas pouco tempo. O documentário é em inglês, mas deves encontrar com legendas em PT.

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    2. Olá Maria encontras roupa em 2. mão na Kids to Kids, é onde compra para minha bebé. E também temos um grupo de amigas nos qual emprestamos roupa das nossas crianças umas ás outras.

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    3. Se calhar não me expliquei bem... ´

      Aqui onde moro tenho uma loja de artigos em segunda mão, onde encontro mais para bebé... mas já não se aplica cá em casa! Para a mais velha (9 anos) vou tendo algumas doações, mas muitas vezes tenho necessidade de comprar uma ou outra peça, roupa interior, um vestido mais "composto", etc. O do meio herda poucas roupas, mas para a idade dele (4) também já se encontra menos roupa usada à venda. O mais novo pouca roupa nova tem, herda do irmão.
      Quando tenho tempo para pesquisar, lá vou encontrando na net roupa usada. Se tenho de comprar "à pressa" sem duvida que o mais barato é tentador.
      Julgo que a C&A já tem algumas opções um pouco mais éticas, pelo menos têm o algodão orgânico e ajudam algumas instituições.

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  7. Olá minha querida e doce Ana!

    Nem imaginas como fico orgulhosa de ti com a tua evolução como pessoa. És uma fonte de inspiração e um exemplo a seguir. E eu agradeço muito por te ter encontrado no meu caminho, e por toda a força e incentivo que me dás a tornar-me uma pessoa melhor! OBRIGADA!
    Este post está maravilhoso, e é mais uma vez serviu-me como despertar para a minha consciência. Muito obrigada por espalhares a palavra do bem :)
    Beijinho enorme e bom fim de semana.

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    1. Catarina, muito muito obrigada!
      Assim até fico sem palavras! :)
      Fico feliz que tenhas gostado deste post!
      Beijinho grande e boa semana

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  8. querida ana, como faço essa pesquisa das lojas, fiquei tão feliz com o teu post vinha mesmo ao encontro do que queria e que por vezes não encontro!!
    obrigadaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
    :)))))))

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    1. Que bom :) Fico mesmo feliz!
      Mas se por acaso nas tuas pesquisas encontrares algo que não está diz-me e acrescento :)
      Beijinho*

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  9. Ana excelente artigo, adorei, também já ando uns tempos a pensar neste assunto, eu encontro roupa em 2. mão para criança facilmente e para adultos é mais difícil. Reduzi imenso ás compras de roupa, só o estrito necessário, faço um bocado o sistema do projeto 333, um determinado número de peças que conjugam umas com as outras. Algumas amigas dão-me a roupa delas, fazemos algumas trocas, ou seja faço o possível para reduzir a compra de roupa.

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    1. Olá Marlene, que óptimo, fazes imensas coisas :)
      Essa dica das amigas é muito boa.
      Obrigada e beijinho*

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  10. E mandar fazer a roupa a uma costureira/modista? Ainda há algumas...

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    1. Sim, é optima ideia também. Está no ficheiro :)
      Obrigada

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  11. acho excelente esta mudança de mentalidade e vim aqui informar-me melhor. queria saber a tua opinião neste tópico e concordo contigo em quase tudo, só há um ponto que me preocupa. sabemos que há benefícios ecológicos (e financeiros) em comprar nacional, mas será que os trabalhadores portugueses são realmente pagos em função do seu trabalho? sabemos todos a história dos precários e falsos recibos verdes que são tantos que custa contá-los. embora as condições na china, índia, bangladesh etc sejam terríveis, não seria interessante verificar se cá em Portugal as empresas são realmente sustentáveis, tanto ao nível de materiais como de recursos humanos? é que conheço tantos e tantos casos nacionais em diferentes negócios que me custa fazer tábua rasa neste ponto.
    beijinho

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    1. Olá Joana, tens toda a razão, por isso é que no ficheiro tenho lá essa indicação que é preciso confirmar se aquelas marcas garantem boas condições para os trabalhadores (quando não tenho a certeza). Se não digo nada é porque sei que isso está expressamente indicado no site ou facebook da marca ou porque já confirmei. Claro que ainda assim não podemos comparar as condições de Portugal com as condições de outros países. Nos países orientais é chocante e têm inclusivamente seguranças à porta que não deixam as mulheres sair, em alguns sítios só podem ir à casa-de-banho uma vez por dia, etc, etc.

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    2. Desculpa, não tinha aberto o ficheiro, mas obrigada por teres isso em consideração também na tua pesquisa por moda sustentável. Conheço vários sítios em Portugal, alguns por experiência própria, em que as condições laborais competem em mediocridade com alguns casos de que falaste, daí o meu comentário. E infelizmente não sei até que ponto poderemos ter a certeza dos maus tratos aos trabalhadores tendo em conta que há colaboradores que "desaparecem de vista" quando a inspeção aparece... Não quero com isto dizer que é o caso das empresas que listaste acima, estou apenas a falar de casos que conheço directamente. Não me vou alongar nos detalhes, nem quero esticar a corda sabendo bem a pobreza que há em determinados países e o que as pessoas têm de fazer para sobreviver, mas acredita que o cenário em Portugal é dantesco e muita coisa acaba por ser calada porque todos temos contas para pagar. Por isso é que o critério da sustentabilidade no aspecto dos recursos humanos é tão difícil de considerar, a não ser que haja documentários como o que referiste que colocam tudo preto no branco.
      Obrigada por seres minuciosa nas tuas pesquisas, é bom saber que há quem se preocupe com todo o processo e ajude a divulgar boas práticas de consumo, já que está ao nosso alcance mudar o que está mal.
      Beijinho

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