Histórias dos leitores: Ana S.

06 junho 2016

Na rubrica "Partilha a tua história" irei publicar textos enviados pelos leitores que já simplificaram as suas vidas. Não há nada melhor do que nos inspiramos com outros exemplos de pessoas que mudaram as suas vidas para melhor! Acredito mesmo que uma vida mais simples é uma vida mais feliz :)

Quando vi o teu desafio aos leitores para escreverem sobre como o minimalismo alterou a nossa vida, soube que queria participar.
De facto, o minimalismo teve um impacto marcante na minha forma de estar na vida, nos últimos anos.
Para mim, começou em 2013. Foi numa altura estável da minha vida, finalmente tinha acabado a minha formação profissional, que tomou, até então, grande parte do meu tempo e da minha dedicação e começaram a surgir novos interesses.

Então, nesta fase, decidi arrumar. Eu sempre adorei arrumar as minhas coisas, organizar, etiquetar, separar por itens... Antes de começar a estudar para uma frequência, tinha que ter todo o material devidamente organizado, era incapaz de estudar no meu quarto se estivesse desarrumado, ou com a cama por fazer. A arrumação e a ordem transmitiam-me a calma e a serenidade para me poder focar no estudo. No fundo, sempre soube isso. O que o minimalismo me mostrou foi que preciso disso, não só para estudar, mas para me poder dedicar ao que realmente me interessa na vida, ter foco para aquilo que me faz realmente feliz.

Perceber que prefiro viver com poucos objetos foi realmente revelador. Mas percebi rapidamente que era isso que queria. Para fazer esta redução houve duas atitudes fundamentais: o “destralhar” e a moderação do consumo.

Numa primeira fase, destralhar foi a palavra chave. Confesso que foi relativamente fácil. Não tenho particular apego aos objetos e com tempo, com dedicação e com a validação externa dos minimalistas que ia lendo, fui destralhando roupa, sapatos, carteiras, objetos decorativos, livros, apontamentos e papeladas. O mais difícil foram os livros. E mantenho algumas fotografias e objetos com valor sentimental, como cartas antigas. Mas para mim, o mais difícil não foi selecionar o que não queria, mas sim encontrar um destino para cada objeto. Não queria deitar fora o que poderia ser útil para alguém, mas também não queria encher de tralha outras pessoas, agora que tinha percebido que isso não traz felicidade, bem pelo contrário. Vender objetos com algum valor revelou-se bastante trabalhoso. Doar a instituições de caridade foi uma das soluções gratificantes, mas não se aplica a todo o tipo de objetos.

Mas, se a curto prazo, destralhar foi fulcral, a médio e a longo prazo, foi no consumo que eu me concentrei. Este é um percurso bem mais longo, e foi aqui que eu notei mais diferenças na forma de estar e de pensar. No fundo, antes de comprar algo, comecei a pensar.
Antes de tudo, comecei a ponderar muito bem no que queria comprar.
Diminuíram radicalmente as compras de impulso e as compras para preenchimento emocional. Depois, comecei a olhar para as coisas com foco.
Afinal, um objeto tem uma história de vida antes de chegar àquela embalagem bonitinha que seduz o comprador... Onde foi produzido? Quem está a beneficiar com esta compra? Envolveu mão de obra explorada? Que materiais usaram?
Na alimentação estas perguntas ainda se alargaram mais. Faz-me bem à saúde?
Afinal que ingredientes é que isto tem? É local ou percorreu mares e oceanos até chegar a mim? Envolveu sacrifício animal? E qual o impacto ambiental que este produto teve?

Todas estas questões fizeram com que tomasse opções em cada dia. E daí surgiram novos hábitos.
Reduzi drasticamente as compras de roupas e acessórios. Deixei de apreciar presentes, brindes e a vertente comercial das festas. Na alimentação, passei a cozinhar muito mais, a privilegiar produtos locais, da época, biológicos e de origem vegetal. Comecei a fazer cosméticos em casa...

Durante este percurso, houve um dia que apareceu na minha caixa de correio um papelinho a convidar para uma aula experimental de yoga. Talvez influenciada pelos minimalistas que ia lendo, resolvi experimentar. Já me perguntei porque é que tantos minimalistas acabam por praticar yoga. Mas faz todo o sentido e daria origem a um outro comentário, e este já vai muito extenso. Neste momento, o yoga é, para mim, uma ferramenta para a vida, uma vida mais plena e mais feliz. Além disso, conheci pessoas incríveis, que partilham mais da minha forma de pensar e de estar do que a maioria das pessoas com quem convivo no dia-a-dia.

Neste “despertar”, foi fundamental a inspiração daqueles que partilham através de blogs, livros e podcasts a sua forma de estar minimalista. O primeiro que li foi o da Rita (The busy woman and the stripy cat), que foi uma enorme revelação.
Mas também tenho que destacar o Leo Babauta, do Zenhabits e os The minimalists. E, claro está, o Ana, go slowly. Obrigada por todas as dicas e partilhas.

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