Reflexões à chuva

07 setembro 2014


Post em modo desabafo. Escrevo muitos desabafos mas acabo sempre porque nunca os publicar por achar que pouco ou nada têm a ver com o tema do blog. Hoje quis fazer diferente. Afinal nunca se sabe, posso encontrar alguém desse lado no mesmo caminho que eu!


Hoje escrevo de pé na companhia da chuva. Adoro ouvir a chuva, sobretudo no silêncio. As janelas ainda estão quase todas fechadas, os vizinhos ainda estão todos os dormir e eu cá estou, cheia de vontade de escrever e de fazer grandes reflexões de vida...

As minhas estações favoritas do ano aproximam-se e mal posso esperar. Adoro mantas quentes e aconchegantes, chás e comidas acabadas de sair do forno.

A chuva faz-me reflectir e estar no momento presente. Acalma-me e põe-me em modo slowly sem grande esforço.

Também adoro andar à chuva mas isso já tem um efeito completamente diferente. Faz-me rir e ficar cheia de energia. Talvez fosse mesmo isso que eu precisava agora...

Não tenho tido grande vontade de cozinhar, nem tenho tido grandes ideias, ando sem vontade de tirar fotos, de as editar e de fazer coisas criativas.

Sinto a cabeça e o corpo cansados, apesar de ter descansado imenso nas férias e de ter reduzido imenso as coisas que faço em casa. Baixei muito as expectativas e deixei-me de perfeições. Dou prioridade ao importante e ao estritamente necessário e deixo o resto. Há que optimizar o que for preciso e concentrarmo-nos em viver a vida, pois só temos uma!

Neste momento viver a vida passa por descansar bem e recuperar energias. Passa por aproveitar os fins-de-semana da melhor forma e fazer aquilo que realmente gosto.

Em relação ao trabalho ando muito cansada e talvez arrependida em relação a este novo caminho que tomei (ou que decidi que tomassem por mim). Quando não sabemos bem o que queremos corremos sempre este risco.

Não posso dizer que faço o que realmente quero, que adoro o que faço, que sempre quis fazer isto ou sequer que foi para isto que estudei. Nada disso. O meu percurso foi sendo feito, às vezes sem pensar muito e simplesmente aceitando desafios que vão aparecendo no caminho.

Antes nem sequer pensava se fazia ou não sentido, se ia de encontro àquilo que realmente queria na vida. Hoje em dia, já é difícil não pensar nisso, sobretudo devido a tudo que li e aprendi com o estilo de vida minimalista.

Mas e aproveitar nesses conhecimentos e realmente decidir o que quero? E realmente perceber se tudo isto faz ou não sentido? Até penso, até acho que chego a algumas conclusões, mas depois deixo-me ir na correria dos dias e de todas as tarefas que há para fazer. Afinal não há cá tempo para conversas nem desabafos no trabalho, temos trabalho a fazer, temos prazos a cumprir e siga para a frente. 

Quando dou conta não fiz nada do que tinha planeado, não disse nada do que tinha imaginado e conversado comigo mesma.

Depois temos outras pessoas que puxam por nós, que acreditam que somos capazes e que querem que continuemos e nós temos medo de desiludir essas pessoas, não queremos fazê-lo.

Então quem é mais importante neste processo, nós ou aqueles que nos são mais queridos? A resposta não é fácil. Sei que devemos pensar sempre em nós primeiro, mas na prática raramente consigo fazê-lo (pelo menos quando se trata de pessoas que me são tão queridas e importantes).

Talvez esta chuva que ouço e vejo a bater na janela do meu quarto me ajude a pôr as ideias no lugar, me ajude a tomar decisões (eu que sempre fui tão decidida desde miúda e que agora até tenho dificuldade em decidir as coisas mais simples, como o que é o jantar ou se compro isto ou aquilo).

Às vezes forço-me a não pensar em nada e simplesmente a viver, a deixar os dias passar... Como se isso tornasse tudo mais fácil. Mas não torna. Quando "acordo" ainda me sinto mais longe da saída.

Outras vezes, também acho que dramatizo e que faço grandes reflexões de coisas demasiado triviais. Sempre tive queda para o existencialismo desde a adolescência e esse é um traço meu que não consigo apagar. Sempre gostei de filosofia, sempre gostei de reflectir no sentido da vida e isso não irá mudar assim de um dia para o outro. Mas, por outro lado, também gosto deste traço em mim, pois sempre achei que quem vive sem pensar, não sabe bem o que cá anda a fazer.

Mas às vezes penso "Não serão essas pessoas verdadeiramente felizes"?

O que realmente importa nesta vida? Seguirmos os nossos instintos? Ou seguirmos os conselhos de quem nos está mais próximo? De quem nos conhece bem por fora e por dentro? Será que isto é só uma fase? Será que devo esperar? Será que devo tomar já uma decisão?


Às vezes gostava que existisse um livro com estas e outras respostas!


Bom domingo!

7 comentários:

  1. Ana antes demais, parabéns pelo teu blog. Sigo-o quase do início e gosto muito de ler o que escreves.
    Nunca comentei os teus posts, talvez por timidez ou talvez por indecisões, mas este tocou-me imenso... talvez por estarmos em situações semelhantes ou talvez por já ter demasiadas saudades do meu próprio blog (que deixei ao abandono por inércia, falta de criatividade, desânimo e outras coisas mais... enfim, coisas chatas da vida....)
    Mas hoje escrevo-te para dizer-te (nada de novo, como já deves saber) que todos temos altos e baixos, momentos que desejamos que acabem depressa e outros que desejamos que permaneçam o maior tempo possível. Espero que esta fase de desânimo desapareça depressa e que voltes a sentir-te em força e com coragem para enfrentar o mundo com tudo de bom que ele tem para nos mostrar a sua beleza, mas também tudo o que de mau tem para nos fazer mais fortes e fazer-nos dar valor às coisas boas da vida.
    Desculpa também este desabafo longuíssimo mas todos nós temos de o fazer de vez em quando :)
    E quanto à tua dúvida sobre desabafos aqui no blog, a minha opinião é que se este e o teu espaço, o teu cantinho no mundo que partilhas com o mundo, mesmo não tendo a ver com o tema do blog, isso não interessa. Este é o TEU blog, é sobre ti e sobre a tua visão da vida.

    Beijo e tudo de bom, para ti, para o blog e já agora para o amigo patudo que aí vem :)
    d

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    1. Olá meninasimples! :) Muito obrigada pelo comentário. Fico feliz por alguém se identificar com o que escrevo, mesmo que às vezes sejam coisas menos positivas. São fases, é verdade, só que há certas coisas que podemos mudar ou pelo menos tentar, e eu tenho feito tudo menos isso pensando sempre que é uma "fase". Só que não me sinto bem com o que faço já há uns meses, já não me parece que seja uma fase... Gosto sempre de dar o benefício da dúvida para depois não me arrepender, só que devo dar esse benefício até quando?
      O blog faz-me sentir muito bem e só por nos últimos dias já ter voltado a escrever já me sinto muito melhor, acredita! Por isso acredito que o teu, que agora está mais esquecido, te fará sentir o mesmo. Às vezes, mesmo em relação àquilo que mais gostamos, temos mesmo que fazer um esforço para começar ou recomeçar e depois o ânimo volta novamente! Por isso espero mesmo que consigas voltar a escrever, ainda por cima sobre simplicidade (tema que adoro!). Aposto que deves ter imensas coisas para contar desde o último post que escreveste.
      Mais uma vez obrigada pelas tuas palavras.
      Beijinhos

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  2. "Quando dou conta não fiz nada do que tinha planeado, não disse nada do que tinha imaginado e conversado comigo mesma."

    Esta frase para mim foi na mouche, tenho pensado nisso tantas vezes, começamos a traçar um plano para a nossa vida, ao estilo "decisões de ano novo" e quando damos por isso já passaram meses e meses e tudo continua na mesma e sem prespectiva de mudar.
    Percebo o que dizes sobre o que será mais importante, o que nós queremos ou a maneira como isso afecta os outros. Sabes, cada vez mais penso que temos de decidir por nós. Porque a forma como nós nos sentimos, como estamos na vida, afecta a maneira como estamos com quem nos rodeia. E é muito bonito sermos altruístas e não fazermos algo que possa ser desconfortável para quem nos está mais próximo, mas se isso mexe com a nossa felicidade somos nós que temos de viver depois com essa consequência, que nos deitamos a pensar no "e se...?". Penso que por mais difícies, dolorosas ou doidas que sejam as decisões que tomamos, quem gosta verdadeiramente de nós vai acabar por entender e apoiar. Só temos de ter a coragem para mudar aquilo que não gostamos na nossa vida e aí está o mais difícil!

    Espero que tudo se resolva e que voltes ao caminho que te faz sentir melhor!
    E mesmo não sendo totalmente dentro do tema do blog, os desabafos por vezes são necessários. E é sempre um prazer ler os teus textos. :)

    um beijinho*

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    1. Obrigada Patrícia! Nem sabes como aquilo que escreveste me pôs a cabecinha a pensar! :) Tens razão, temos mesmo que fazê-lo por nós! Afinal a vida é nossa e se nós não estamos bem com ela, quem é que vai estar? Temos que pensar em nós!
      Espero que tu, tal como eu, consigas encontrar o caminho certo :)
      Beijinho

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  3. Olá Ana,
    Identifico-me muito com o teu texto, também eu sou dada a pequenas crises existenciais e a questionar tudo. Também eu não queria deixar de assim ser, embora estes momentos sejam difíceis. Mas dão-nos a possibilidade de (re)definir quem somos e o que quereremos ser, estou certa de que encontrarás em ti as respostas que não, nao vêem nos livros :)

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  4. Oi Ana, sempre tive crises parecidas, meu marido dizia que a cada 3 anos eu tinha uma. Eu nunca soube o que queria fazer em relacao a trabalho entao estava sempre em busca de algo que me fizesse feliz, nao achei. Prem hoje tenho uma visao mais realista, acho que trabalhol tem que gostar, nao precisa amar, e tem que te dar um retorno financeiro que voce possa usufruir de algumas regalias como comer bem, viajar nas ferias, pagar a escola do filho etc. Acho bem refletir sempre porem tem coisas que por mais que pensemos nao vamos ter resposta. Temos dias de alto e baixo o importante e sair do baixo, pensar que temos saude, paz, vivemos bem e temos que agradecer e seguir e fazer com que nosso tempo aqui tenha muito mais momentos alegrres do que tristes. Adoro seu blog. bj

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    1. Olá Yara! Adorei o comentário! Tenho mesmo que pensar assim. Aceitar as coisas menos boas e concentrar-me nas boas, faz parte :) Beijinho

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