Go slowly: acorda mais cedo e bem

30 setembro 2013


As “go slowly” são pequenas dicas que podemos implementar no nosso dia-a-dia que nos permitem viver de forma mais lenta, relaxada e feliz. Fazem-nos ver a vida de outra forma e ensinam-nos a valorizar as pequenas coisas. Vamos a mais uma dica?


Como já perceberam, gosto de acordar cedo e, também, de me deitar cedo!

Nem sempre fui assim. Nos tempos de adolescente e estudante universitária deitava-me muito tarde e passava muitas noites sem dormir. Era uma noctívaga e as noites rendiam-me muito mais (para estudar, ler, ver filmes, ouvir música e também sair). Os dias não eram passados a dormir. Como eu não gostava de dormir (achava eu que era tempo perdido) dormia muito pouco. Às vezes 4 horas, outras vezes mais, outras vezes menos. Como não queria faltar às aulas e como gostava de me deitar tarde, tinha que arranjar forma de conciliar as duas coisas, portanto, não dormindo!

Mesmo quando comecei a trabalhar deitava-me muito tarde e claro que depois tinha sempre sono durante o dia!

Há uns anos fiz as pazes com o dormir e percebi que apesar de não ser um tempo produtivo, no sentido de ser usado para fazermos coisas, é produtivo para o corpo e mente, pois permite que estes descansem e recarreguem energias para o dia seguinte. 

Assim, alterei o meu horário de sono e passei a deitar-me e a acordar cedo, mesmo aos fins-de-semana.

Deixei de me sentir cansada e os dias passaram a ser mais produtivos.

No ano passado passei a acordar ainda mais cedo, pontualmente, para fazer coisas que gosto, como ler, meditar e fazer muffins para o pequeno-almoço... Este ano decidi ir ainda mais além, acordando mais cedo todos os dias e incluindo o exercício físico.

Acho que o importante é mesmo acordarmos para fazer algo que gostamos, senão lá se vai a motivação... Depois é uma questão de hábito e torna-se até um vício (saudável claro), sentimo-nos melhor, o tempo rende mais e já não queremos ficar na cama.

Ao longo do tempo fui desenvolvendo vários hábitos que me ajudam a acordar bem e que influenciam positivamente o resto do meu dia. Claro que nem todos eles são feitos todos os dias, mas se sentem que estão a precisar de mudar alguma coisa no vosso despertar, experimentem alguns deles:

- Hora de deitar: por volta das 22.00/22.30 ou só quando sinto sono. Não gosto de me deitar sem sono, pois demoro uma eternidade a adormecer, portanto a ideia é ir desacelerando cerca de uma hora antes da hora de deitar, assim o nosso corpo já está preparado para descansar. Com o desacelerar quero dizer, deixar o computador, jogos, e deixar de arrumar e organizar coisas. Para relaxar gosto de tomar chá, ver alguma série (a mim a tv dá-me sono, mas a quem não der, não recomendo), ouvir música, conversar e até fazer algumas posições de yoga e meditar. A ideia é evitar coisas demasiado stressantes ou exigentes a nível físico e mental.
Aos fins-de-semana deito-me obviamente um pouco mais tarde, mas se não tiver um programa específico para fazer acabo por ter sono não muito tarde e vou deitar-me.

- Hora de acordar: 5.00 (aos fins-de-semana faço-o por volta das 8h no máximo) - acordar cedo, com calma é o 1.º passo para o dia correr bem. Acordar tarde, andar stressado e sair de casa a correr deixa-nos logo mal-dispostos e sem energia.

Antes de implementar este novo hábito de acordar mais cedo, acordava por volta 6.00 e apesar de ter algum tempo para fazer tudo calmamente, não tinha tempo para fazer o que mais gostava... O bichinho madrugador andava aqui sempre a dizer-me que eu podia perfeitamente acordar mais cedo, só que eu achava que era impossível pois não me conseguia deitar mais cedo e depois tinha medo de andar mais cansada… Este ano resolvi pôr essas dúvidas de lado e ir em frente. Afinal experimentar não faz mal, se depois não gostasse voltaria a fazer tudo como antes.

Se queres levantar-te mais cedo, começa por fazê-lo apenas 10 minutos antes numa semana, depois na seguinte outros 10 e assim sucessivamente até chegares à hora que pretendes. Não te esqueças que a hora de dormir também deve acompanhar o mesmo ritmo.

- Melhor forma de acordar: sem despertador, sem dúvida, mas nem sempre é possível. Dizem que a wake-up light também é muito boa, mas não tenho. Então acordo com o telemóvel, que coloco apenas a vibrar e esse barulho é suficiente. Muitas vezes acordo antes de o despertador tocar, o que é ainda melhor pois acordo de forma natural. Depois é uma luta para sair do quarto pé ante pé evitando fazer qualquer barulho, pois o marido tem o sono muito leve (mas eu já estou a ficar perita).

- Limpar o corpo: bebo um copo de água morna com umas gotas de limão. Esta mistura é óptima para limpar o organismo.

- Alimentar a mente: escrever/ler ou qualquer outra coisa que me dê prazer. Neste momento tenho-me dedicado ao blog e quando não surgem logo ideias começo por ler os blogs que acompanho habitualmente. Também uso o pinterest como inspiração.

- Exercitar o corpo e os pulmões: gosto de fazer alguns exercícios de relaxamento (incluindo a respiração) e de flexibilidade. Depois gosto de saltar à corda e de fazer alguns exercícios localizados e termino novamente com exercícios de relaxamento.

- Limpar a mente: através da meditação (cerca de 5/10 min). Comecei por utilizar a aplicação Dharma Meditation Trainer no smartphone . Tem vários níveis e cada meditação tem uma frase de reflexão. É possível definir o som utilizado, o tempo máximo de meditação e ainda definir um alarme para lembrar que é hora de meditar. Quando comecei a usar esta aplicação ajudou-me imenso a manter este hábito e também a estar concentrada. Hoje em dia nem sempre a uso pois já estou habituada.

- Refrescar o corpo: um duche rápido sabe tão bem! Alternar entre água quente e fria dá-nos logo mais energia (como no Inverno é mais difícil, reduzam só um bocadinho a temperatura)

- Alimentar o corpo: preparo o pequeno-almoço (para mim a refeição mais importante do dia). Gosto de comer calmamente e de aproveitar para conversar com o companheiro (sabe tão bem!). Geralmente como fruta e pão e tomo café ou café com leite de soja. Há dias especiais em que há panquecas ou muffins. Durante muitos anos só comia cereais (tipo muesly) e fiquei um pouco cansada, por isso ainda estou na pausa. Talvez um dia volte a comer, pois afinal comer cereais saudáveis ao pequeno-almoço é também uma boa alternativa.

- Alimentar a alma, sorrindo e sendo feliz: não adianta fazer todas estas coisas se não nos sentirmos bem e felizes. Por isso sorri e sai de casa com boa disposição!

Mais inspiração sobre o assunto aqui:






E vocês acordam mais cedo ou ficam a dormir até à última?

Simplificar a vida e definir o que é prioritário

27 setembro 2013

Um dos princípios mais importantes do minimalismo não é só livrarmo-nos de coisas, é, sobretudo, focarmo-nos no essencial. Muitas vezes até acabamos por adicionar mais coisas, pois aqui não se trata de eliminar só por eliminar. Apenas eliminamos o que não faz falta, justamente para acrescentar aquilo que faz.

Nas férias (que parece que já foram há um tempão!) reflecti muito sobre a vida e voltei a pensar naquilo que é mais importante para mim, naquilo onde quero investir o meu tempo. Mesmo com tudo o que já eliminei há sempre mais… Coisas antigas que vão ficando e coisas novas que vão aparecendo. 

Já descobri que só vou conseguir fazer o que quero fazer eliminando, eliminando, eliminando e claro, adicionando o que interessa.

Não consigo fazer tudo, até porque não quero abdicar do que já construí: uma vida mais focada e simples. Por isso o segredo é continuar a eliminar coisas que pouco ou nada acrescentam à minha vida.

Claro que há certos períodos em que não temos mesmo hipótese: temos que fazer mais coisas em menos tempo, mas isso ocorre em fases específicas e não é a isso que me refiro aqui.


Então comecei a minha análise pelas rotinas.

Sabia que queria mudar algumas coisas quando as férias terminassem e sabia que o sucesso desta tarefa só dependia de uma coisa: definir bem o que queria mudar e aquilo que queria manter.

Basicamente “peguei” nas minhas rotinas e nas coisas extra que me fui lembrando e respondi às seguintes questões:

O que devo manter? O que está bem?

O que quero eliminar? O que não faz sentido?

O que posso editar?

O que posso acrescentar?

Isto aplica-se a tudo na nossa vida: rotinas, compromissos, trabalho, vida pessoal, objectos, roupas, comida, fonte de informação (esta para mim é das mais sugadoras de tempo). Enfim tudo!

E como se pode aplicar isto em prática no dia-a-dia: fazendo pequenas coisas que nos permitam viver de acordo com as nossas prioridades. Quanto ao resto, o que tem que ser feito porque sim, porque faz parte e que até não gostamos assim tanto mas tem que ser, devemos tentar simplificar o processo ao máximo, agilizar e automatizar se for possível. Se nada disto for possível, há uma que faz milagres: ver as coisas sob uma outra perspectiva. Se não podemos mudar as coisas, podemos sim mudar a forma como as vemos!

Quanto a listas de coisas para fazer, registem apenas as 3 mais coisas importantes do dia. No início pode ser complicado fazer tão pouco, mas com o tempo (simplificando, simplificando e simplificando) ainda se consegue ter menos do que 3 coisas, acreditem em mim.

E para os mais cépticos, simplificar não é deixar as nossas vidas vazias, sem nada. É sim deixá-las apenas com o mais importante, com aquilo que faz sentido para nós. E como as nossas vidas vão mudando, é óbvio que as nossas prioridades também, por isso é que é importante reflectir sobre o assunto de vez em quando.

Na minha vida quero:


Investir cada vez mais em tempo de qualidade a dois! Por exemplo, passando mais fins-de-semana fora aqui e ali. Nós adoramos “road trips” e portanto há que aproveitar enquanto o podemos fazer. E como são apenas fins-de-semana é muito mais fácil de concretizar do que passar uma semana fora, por exemplo.

Quero ainda...

Aprender mais sobre fotografia (cada vez gosto mais deste mundo!);

Dedicar-me ao blog (é das coisas que mais gozo me dá fazer);

Ter o cantinho das ervas aromáticas cá em casa e quem sabe arranjar um espaço maior em casa de um familiar para plantar legumes e fruta (como falei aqui);

Continuar a dedicar-me à cozinha (descobrir novas receitas e inventar);

Continuar a praticar exercício físico todos os dias;

E no trabalho, fazer o máximo em menos tempo possível, evitar distracções e sair a horas (pois acabo por sair bem mais tarde do que deveria…).

A ideia é tentar implementar uma coisa de cada vez, devagarinho. Algumas das coisas já estão a ser feitas, outras para lá caminham.

Estas ideias são apenas um guia, pois já sabem que há muito que me deixei de objectivos :)

E por aí? É tudo importante ou definem prioridades?

Gelados de soja

26 setembro 2013

Este post já vai um pouco tarde, eu sei, mas como ainda está calor ainda é permitido comer gelado, certo?

Este ano descobri esta marca no continente e adorei! Há duas variedades: mini-gelados com cobertura de cacau (na primeira foto) e caixas de gelado com chocolate e baunilha (na segunda foto).

São deliciosos, saudáveis e sem crueldade! :)





Jantar rápido mas cheio de sabor

25 setembro 2013

Que bem que sabe, de vez em quando, fazer um jantar mais rápido (na preparação pois claro, que a sua degustação é bem lenta).

Um chouriço de soja que após partir às rodelas, aqueço ligeiramente numa frigideira sem gordura, uns vegetais grelhados (na foto pimentos e curgete) com manteiga vegetal e temperados com flor de sal, tomilho e sementes de sésamo, uns pimentos padrão salteados que adoro (menos aqueles que são demasiado picantes!) e para finalizar a minha querida broa de Avintes. Só falta mesmo servir, sentarmo-nos à mesa e conversarmos enquanto saboreamos estas iguarias...

Como eu gosto destes jantares... tão simples e tão bons! As coisas simples são mesmo as melhores!



Olá Outono

23 setembro 2013



Apesar do calor dos últimos dias, já se sentem os primeiros sinais do outono.

As folhas, coloridas e barulhentas.

O frio ao amanhecer e ao anoitecer.

A vontade de vestir roupas quentes, de me enruscar numa manta e de beber chá bem quentinho.

Espero que o outono chegue a sério e que traga com ele mais descanso.

Os últimos dias têm sido muito cansativos, com preocupações e trabalho a mais.

É preciso parar e redefinir prioridades.

Bem-vindo outono!

freebies daqui

Para ler no fim-de-semana

20 setembro 2013





Ainda sobre as férias:



O desapego e os custos irrecuperáveis. Custa muito livrarmo-nos de coisas que foram bastante caras ou que nos deram trabalho a comprar e/ou a manter. Mas será que se nos livrarmos já já delas, não iremos a tempo de recuperar esse tempo e dinheiro perdidos? Se der para vender, ainda recuperamos algum dinheiro. Mas quando não dá ou quando não queremos ter esse trabalho, continuo a achar que compensa muito mais não termos as coisas: não perdemos tempo nem dinheiro na sua manutenção, ganhamos espaço e deixamos de ficar chateados de cada vez que olharmos para elas e pensamos no assunto.

Uma das grandes dificuldades que enfrentamos quando estamos a minimizar: E se algum dia voltar a precisar?

Beringela parmigiana - experimentei esta receita e adorei! Apenas adicionei algumas rodelas de curgete e usei um queijo de tofu que fiz em casa parecido com este. O tofu ficou mesmo com ar de requeijão e ficou muito bem na receita. Adorei! Uma verdadeira delícia! 

Menos é definitivamente mais! Adoro o meu café de manhã, mas só bebo mesmo esse durante todo o dia. Acho que se bebesse mais deixava de ter a piada que tem! Não vos acontece isso com outras coisas? Quando fazemos determinada coisa muitas vezes perde aquele encanto...


Será que a nossa vida tem um propósito? Será que temos uma missão? - Este post fez-me voltar totalmente à infância e desde que me tornei minimalista foram várias as vezes em que recordei muitas coisas que me marcaram nessa altura... Curiosamente essas são as coisas que agora têm mais importância: a ligação com a natureza, o bichinho dos computadores, o porquê de termos que nos alimentar de animais, o ajudar os outros, o gosto pela cozinha (que nasceu na cozinha da minha mãe e da minha avó, sempre que as observava a cozinhar)... Tanta coisa! Adoro pensar nestes momentos, deixa-me feliz!

Este vídeo já circulou um pouco por todo o lado mas nunca é demais partilhá-lo. E se vivêssemos sem telemóvel viveríamos mais?

Adeus água engarrafada

18 setembro 2013



Setembro é mesmo o mês da mudança! Finalmente comprei um jarro da Brita e disse adeus à água engarrafada.
Para além da água engarrafada ser pouco ecológica pela quantidade de plástico que utiliza, nós bebemos muita água, então era uma canseira ter que ir várias vezes comprar água, carregar com os garrafões até casa e depois ter que estar sempre a levá-los à reciclagem. E irritava-me mesmo a quantidade de plástico que estávamos a usar...

Estas chatices acabaram e agora temos água sempre disponível.

É só necessário ir mudando os filtros (sempre que surgir o aviso no jarro). Segundo li costuma mudar-se todos os meses, mas depende sempre da água da região pelo que um filtro pode durar sempre mais do que um mês.

Quanto ao sabor, é muito melhor que a água da torneira (que eu não gosto mesmo) e não notei assim tanta diferença em relação à agua que usávamos (marca do continente).

Portanto estou muito satisfeita com esta mudança e recomendo :)

E por aí alguém usa filtros?

Manhãs com novos ritmos

16 setembro 2013



Depois das férias senti-me cheia de energia para dar um novo ritmo às minhas manhãs:

Acordar às 5.00 para me dedicar àquilo que mais gosto - escrever e praticar exercício físico.

Das 5.00 às 6.00 dedico-me à escrita; das 6.00 às 6.30 faço exercício físico (saltar à corda, exercício localizado, e/ou yoga) e termino com meditação. As corridas ficam para o fim-de-semana, pois lá fora a esta hora ainda é noite cerrada. Tenho muita pena pois não há melhor sensação do que correr ao amanhecer mas a esta hora é cedo demais.

Sempre quis acordar cedo e cheguei a consegui-lo algumas vezes quando tinha coisas específicas para fazer. Funciono muito bem de manhã e adoro escrever mal acordo! Mas nunca consegui fazê-lo todos os dias... Tornar isto num hábito diário era mesmo algo que já queria conquistar há muito tempo! As férias deram-me a energia que faltava!

Então como comecei?

Eu já acordava relativamente cedo, entre as 6 e as 6.30 por isso a diferença não foi assim muita.

A única diferença passou a ser a hora de dormir: agora por volta das 22 ou até antes se conseguir.

Como senti que nas férias descansei muito bem, aventurei-me logo a acordar às 5.00 na segunda-feira depois das férias. A ideia nessa primeira semana era tentar acordar todos os dias entre as 5.00 e as 5.30. Algumas vezes consegui acordar sem despertador, o que foi ainda melhor.

Nessa primeira semana, apenas me dediquei à escrita, pois só queria começar a praticar exercício quando estivesse habituada ao ritmo, uma vez que o exercício exige mais esforço.

Com a escrita dei-me bem. Já tinha experimentado outras vezes escrever logo de manhã (mas com menos tempo) e tinha gostado da ideia. A mente está fresca, quase como uma tela em branco e para mim é mais fácil escrever nessas alturas.

Na semana seguinte (ou seja na semana passada): comecei com o exercício e correu bem. Deixou-me logo cheia de energia para enfrentar o resto do dia!

O sucesso destes novos hábitos depende de três coisas importantes: 
  • tenho que me deitar cedo na noite anterior;
  • deixar a roupa para o exercício preparada;
  • levantar-me mal acordo ou quando toca o despertador.
O Leo Babauta diz que não devemos começar logo 2 novos hábitos de uma só vez e apenas o resolvi fazer quase de seguida, porque no fundo não são novos hábitos, apenas lhes mudei o horário e dei-lhes mais consistência. Costumava escrever ao final do dia e à hora do almoço e praticava exercício físico ao final do dia (durante a semana), só não o fazia todos os dias como gostava porque ao final do dia acabavam por surgir sempre imprevistos, ou porque haviam coisas a fazer no final do trabalho ou simplesmente porque estava demasiado cansada. Assim de manhã há uma menor probabilidade de isso acontecer!

Além disso, acho que estes 2 hábitos acabam por estar relacionados, portanto é uma óptima ideia praticá-los juntos. É quase como uma espécie de "mente sã, corpo são".

Mas importante do que isso, desde que comecei com estes novos ritmos, o dia corre melhor e ao final do dia sinto-me super leve, pois já fiz duas das coisas mais importantes do dia. Quando acontecia algum imprevisto e não podia praticar exercício físico ao fim do dia, confesso que ficava um pouco chateada. Assim evito que isso aconteça.

Para já tem corrido bem e vou continuar. Com a chegada do inverno talvez custe um pouco mais acordar tão acordo, mas vou adaptando e acordo um pouco mais tarde se for necessário. O importante é mesmo ir experimentando e percebendo o que se adapta melhor a mim.

Hoje confesso que me custou um bocadinho, mas às segundas custa sempre mais. Apesar de acordar cedo ao fim-de-semana nunca acordo tão cedo. Mas há algo que faz mesmo ter força para acordar: sempre quis ser capaz de fazer isto, acordar muito cedo e começar bem o dia, fazendo duas coisas que gosto muito e me deixam com dever de missão cumprida. Eu que achava que era impossível, consegui! E isso dá-me uma força enorme!

A sociedade em que vivemos

13 setembro 2013


Acompanho o que o Joshua Becker escreve há já algum tempo (praticamente desde que comecei a ler sobre minimalismo) e quando outro dia comecei a ler este post bastou-me ler um parágrafo para começar a escrever e só parar quando escrevi tudo o que me veio à cabeça sobre o assunto:

“Unfortunately, most people think more money is the answer. And while there may be some truth to this solution, most of us would readily admit that our most basic needs (food, shelter, and clothing) are financially covered. It appears then that most of our financial troubles are not based in need, but in cultural expectations—that because we live in a society based almost entirely on consumption and the promotion of it, we have too subtly bought into the lies and built our lives upon them far more than we realize.”

Com o minimalismo acabei por poupar imenso dinheiro. E agora percebo quando vejo alguns minimalistas que deixam de trabalhar para viajar e outros que vivem com metade ou menos do salário que ganhavam antes. Não é uma questão de pobreza voluntária, não é uma questão de fazer sacrifícios (eu provavelmente fazia mais sacrifícios antes porque me forçava a poupar para ter isto ou aquilo), é uma questão de foco e de mudança de mentalidade!

Não tenho a necessidade que tinha de estar sempre a comprar, ou porque mereço, ou porque posso ou porque não tenho mais nada para fazer e então vou até ao shopping. Isso desapareceu simplesmente!

Compro quando preciso mesmo, faço listas de coisas que quero comprar e deixo-as passar o teste dos 30 dias (a não ser que seja algo absolutamente necessário) e a maior parte das coisas não passa o teste (sobretudo no início quando comecei a fazê-lo). Além disso, como não tenho pressa nem tenho que acompanhar as últimas tendências e os últimos modelos de tudo, espero até encontrar mais barato. Pois afinal não tenho pressa.

Vivemos numa sociedade que nos está constantemente a exigir mais e mais! Para termos uma vida considerada “normal”, “decente”, “digna”, “aceitável”, temos que ter o que os outros consideram o padrão. É mentira! A vida somos nós que a fazemos!

Eu sei que agora seria difícil vivermos sem carro por exemplo, e aí tudo bem, não acho que o carro seja considerado uma extravagância, agora muitas das necessidades que as pessoas têm não são necessidades. Não me venham a dizer que uma criança de 7 anos tem que ter um tablet porque passou de ano e já tem um telemóvel xpto desta idade, não me digam que têm que andar em colégios privados e que têm que ter roupa de marca para serem mais felizes. Porque isso é mentira! Não me venham dizer que não sabem o que vestir quando têm os armários cheios de roupa! E não me venham dizer que não têm dinheiro para coisas básicas, como pagar a prestação/renda da casa e alimentação quando pagam uma mensalidade de 60€ ou mais num ginásio!

Por dinheiro as pessoas fazem sacrifícios enormes, aguentam trabalhos horríveis que só prejudicam a saúde, outras emigram e deixam a família (marido e filhos) cá porque não conseguem aguentar com as despesas. Eu percebo que haja pessoas que não conseguem de facto e conheço casos assim, mas também conheço outros em que não é nada assim, as pessoas simplesmente querem viver acima das suas possibilidades! Querem ter a vida que os outros têm, querem ser iguais!

Há uns tempos numa conversa sobre a possibilidade de um dos cônjuges trabalhar perto ou longe de casa, eu referi que no meu caso preferiria perto, pois prefiro a família ao dinheiro, nem que tivesse que viver com metade do que vivo hoje. A pessoa A concordou comigo mas a B não! Disse quase de caras que o dinheiro era mais importante! E neste exemplo em concreto, sei que são pessoas que não precisam! A pessoa B viaja imenso, está sempre fora, vem cá com frequência aos fins-de-semana mas é só isso, está sempre fora! Eu entendo que as pessoas gostem dos seus trabalhos, gostem de viajar mas quando derem conta o tempo passou, não viram os filhos crescer, apenas se dedicaram ao trabalho para lhes dar tudo o que precisam mas esqueceram-se do mais importante que é estar presente na vida deles!

Quando há pais que me dizem que não fizeram isto ou aquilo (coisas absolutamente necessárias) para os filhos porque não tiveram tempo eu penso mesmo “que raio?!”. Tens tempo para arranjares 1001 compromissos, para estares sempre a fazer compras, para tirares não sei quantos cursos e não tens tempo para o teu filho? Então para quê que tiveste filhos? Foi por ser mais uma “obrigação” da sociedade? Para riscares um item da tua checklist?! Juro que não percebo e fico passada com certas coisas. Pior do que isso, não fazem o seu trabalho como pais e ainda exigem que outros o façam…

Há coisas que me revoltam profundamente e a forma como vivemos hoje em dia tem coisas absolutamente estúpidas. Eu acredito que no final das suas vidas as pessoas vão pensar em muitas das coisas e vão desejar que tudo tivesse sido diferente. Eu acredito que lá no final vai pairar sobre as suas cabeças uma luzinha!

E acho sinceramente que isto acontece porque as pessoas não pensam sobre as coisas, não reflectem, apenas se limitam a viver, a fazer o que tem que ser (acham elas), o que a sociedade dita. Depois os que vivem de forma diferente é que são os malucos! Maluco é quem vive assim! E ainda bem que sou e penso de forma diferente!

créditos imagem | https://unsplash.com

Desafio 2013 em 2013 no bom caminho

12 setembro 2013


Quando me perguntam como é que as pessoas da família alinham (ou não) nesta onda do minimalismo, digo sempre que não devemos forçar, que devemos respeitar o que é o do outro. Claro que a outra pessoa também deve respeitar o nosso espaço e se o queremos arrumado e destralhado, a outra pessoa deve respeitar isso e não encher os nossos espaços com a sua tralha.

Em casa dos meus pais, só a minha irmã é que alinha nestas coisas e aí estou mesmo na minha praia (já fizemos várias arrumações juntas), pois ela adora livrar-se de coisas! Já com os meus pais o cenário é bem diferente...

Cá em casa, a tralha de cada um sempre esteve em espaços distintos, depois havia (e ainda há alguma) tralha comum pelo resto da casa.

Desde que comecei a interessar-me pelo mundo minimalista que fui falando com o meu companheiro sobre o assunto. Afinal conversamos sobre tudo e mais alguma coisa, por isso não faria sentido não falar sobre este assunto. Portanto ele está mais que esclarecido e até concorda com bastantes princípios da filosofia. E esta parte é bastante importante, não só mostrarmos como nos sentimos bem com a casa, a mente e agenda mais vazias, mas também explicar o porquê das coisas. Falem, conversem, expliquem e vão ver que mais cedo ou mais tarde os vossos queridos vos vão seguir, ora continuem a ler...

Quando há uns tempos fizemos arrumações e nos livramos de mais algumas coisas, ele prometeu-me que iria arrumar a sua “tralha” (coisas antigas que não usa e que estão guardadas em caixas). Quando mudamos de casa, compramos caixas específicas para guardar esse tipo de coisas. E era mais ou menos isso o que queria fazer com as minhas coisas também, tal como contei aqui quando me dei a conhecer ao mundo.
Foi precisamente nessa altura que se fez “PLIM!” e que percebi que não valia a pena guardar e organizar tralha.
Mas como não somos todos iguais, tratei apenas das minhas coisas....

No sábado passado voltei a destralhar. Senti uma necessidade enorme de o fazer (afinal agora já não tenho tantas coisas assim...) e como não tinha mais nada que fazer (dizem que os minimalistas ficam com muito tempo livre não é? Devo estar a ficar com esse problema...) comecei a inspeccionar a casa. Digitalizei alguns papéis e livrei-me de várias coisas (lixo, reciclar, dar).

Apesar de ainda estar algum calor, estive a ver algumas peças de inverno que irei usar na próxima estação e estive rever aquelas que acabei por não usar no verão.

Resultado: lá foram mais umas quantas peças embora e sobrou espaço!

Depois veio a parte mais difícil: aquelas coisas que nos são queridas e que guardamos simplesmente como recordação.
No meu caso eram umas botas Dr. Martens, que usei durante vários anos até ficarem mesmo velhinhas velhinhas. Adoro a marca, adoro as botas e gosto do que me fazem lembrar.
Mas tudo isso continuará comigo mesmo que me livre das botas. Afinal só me vou livrar das botas e não dessas recordações. Além disso, elas estavam arrumadas num sítio super escondido e não expostas num sítio qualquer... Assim chegou a altura de me despedir. Tirei algumas fotos e disse adeus!

No domingo foi a vez do meu querido companheiro me fazer uma grande surpresa: começou a arrumar a dita tralha e livrou-se de muita muita coisa (como podem ver aqui)! Durante as arrumações tentei estar quietinha no meu lugar e não interferir muito porque por mim não havia selecção (livrava-me de tudo!), mas como respeito o seu espaço e suas as coisas achei por bem não interferir. Apenas contei as coisas no final e fiz a separação (lixo, reciclagem, para dar).
Apesar destas arrumações ainda não terem terminado (sobretudo para quem não está habituado a coisa não se faz assim num dia...), o desafio 2013 em 2013 já passou os 50%, o que já me deu alguma esperança de que talvez o consiga terminar até ao final do ano! 

Não sei se o marido irá ler este post (ele não costuma ler o blog) mas se o fizer, deixo aqui o meu ENORME agradecimento! :)

Salada à gaspacho

10 setembro 2013

Depois do Alentejo fiz várias vezes esta salada como acompanhamento do prato principal. 

Inspirei-me no gaspacho pois claro! No que mais poderia ser? :)

Ingredientes:
Pepino
Tomate
Sementes de sésamo
Alho em pó
Coentros frescos (estes não podiam mesmo faltar!)
Vinagre balsâmico
Azeite
Molho de soja (em vez do sal)

Cortei o tomate e o pepino em pedaços pequenos, temperei a salada e polvilhei com umas sementes de sésamo para lhe dar um sabor mais crocante. 

Simples, rápida e deliciosa!


Slow living

06 setembro 2013




Esta frase representa aquilo que eu considero o “Speed living” e que é basicamente a forma como vivemos hoje em dia: numa correria e sem tempo para nada. O único período em que vivemos de forma mais calma será provavelmente a época de férias e mesmo assim isso nem sempre acontece, tal é a vontade de aproveitar o tempo ao máximo e de fazer tudo e mais alguma.

No meu caso, as férias têm uma coisa muito boa: permitem-me pôr a leitura em dia. Entre livros ou simplesmente textos, li algumas coisas sobre “slow living” e o “slow movement”.

Esta filosofia começou com o “slow food”, um movimento criado em 1986 por Carlo Petrini como forma de contestação à abertura de um McDonald's na Piazza di Spagna em Roma. Este movimento é contra a fast food e à produção em massa (e a todos os malefícios a esta associada) dando primazia à qualidade em detrimento da quantidade e a uma produção mais natural e amiga do ambiente, valorizando o produto e o seu produtor e promovendo a verdadeira apreciação da comida.

Este movimento estendeu-se a outras áreas e acabou por dar origem ao "slow movement":

Um estilo de vida que faz cada vez mais sentido para mim: o fazer menos mas com mais qualidade e dedicação, o fazer tudo ao meu ritmo e de forma intencional, o aproveitar cada momento e vivê-lo intensamente e o valorizar os pequenos nadas (que afinal são tudo)! (Mais sobre o assunto aqui)

Há dias em que sinto mesmo que andamos aqui numa corrida contra o tempo, fazemos tudo de forma automática, apressamos as refeições, as rotinas e as conversas para termos tempo para tudo e para quê? Claro que podemos sempre tentar fazer tudo mais devagar, mas depois sentimo-nos mal porque o tempo não chega para o resto que também queremos fazer. Então ficamos assim numa espécie de dilema... Depois questionamos tudo, se este estilo de vida faz sentido, se é suposto vivermos assim só porque os outros vivem, ou se devemos ir contra o que é esperado e seguir o nosso instinto. 

Depois do turbilhão, vêm os sonhos e a vontade de mudar… Sonho, muitas vezes, com uma vida ainda mais calma, diferente daquela que vivo hoje, que apesar de já bem diferente do que era, ainda tem algumas coisas que para mim fazem cada vez menos sentido…

Acho que às vezes é preciso uma ruptura total com o modo como vivemos para chegar onde queremos e cada vez mais penso nisso... no mudar de ares... numa mudança mais profunda.

Por agora não é algo que esteja nos meus planos imediatos, trata-se apenas de um sonho pequenino, bem escondido na minha cabeça, mas quem sabe? Nunca sabemos bem onde esta vida nos pode levar e se isso antes me preocupava, agora não. O que tiver que acontecer acontecerá. Além disso, tenho vindo a descobrir melhor o que quero e o que me faz feliz e tento colocar isso em prática no meu dia-a-dia em todas as escolhas que vou fazendo. E se estas escolhas e mudanças diárias já me permitiram chegar tão longe, quem sabe onde me irão levar daqui a 5 ou 10 anos...

No entanto, sei que apesar destes sonhos, o importante é o viver aqui e agora com aquilo que me faz feliz, partilhá-lo com as pessoas mais importantes e tirar o máximo partido de tudo o que me rodeia, não esquecendo a real importância das pequeninas e das grandes decisões que vou tomando, pois afinal são elas, no seu conjunto, que dão sentido (ou não) à minha vida. Sei que questionar as mais pequenas coisas faz parte de mim e sinto-me bem por isso mesmo.

Nem sempre é fácil equilibrar estes dois mundos: conciliar a felicidade no agora com a vontade de sonhar. A imaginação toma muitas vezes conta de nós e quando damos conta estamos bem bem longe e a desejar que tudo fosse totalmente diferente (e esta cabecinha já realizou muitos filmes por isso sei bem do que falo). Acho que é mesmo importante conseguirmos equilibrar as coisas, não deixar de sonhar, de ambicionar coisas diferentes, mas continuar a gostar do que fazemos, do modo como vivemos, com quem estamos. De outra forma nunca seremos felizes!

Ora pensa comigo: o que gostavas que fosse diferente na tua vida? Respira fundo e regista tudo. Quando terminares analisa... será a tua vida actual assim tão diferente? O que te falta para conseguires alcançar algumas dessas coisas? 

Após ter respondido a estas questões, constatei que a minha vida não é assim tão diferente do que escrevi, sendo apenas necessário fazer alguns ajustes: coisas que são perfeitamente simples e alcançáveis. O que acontece é que muitas vezes nos esquecemos de pensar na parte prática e distanciamos as coisas de tal forma, transformando-as em sonhos impossíveis de realizar. Vamos descer à terra e sermos mais práticos e realistas?

Outras vezes sonhamos mas nem percebemos bem com o quê, apenas queremos que as coisas sejam diferentes… Por isso é tão importante definir bem aquilo que queremos, descobrir realmente aquilo que nos faz mais felizes e só depois estabelecer estratégias e formas de o alcançarmos.

Nem sempre é fácil nos conhecermos melhor e descobrir o que realmente queremos, é preciso investirmos em nós, cuidarmos de nós, reflectir, ler muito, experimentar coisas diferentes, ouvir o nosso eu interior e estarmos atentos às mais pequenas coisas que vamos sentindo e às vezes escondendo.

Vou dar-vos um exemplo, eu gostava mesmo de poder plantar os meus próprios legumes e frutas. Para além de saber aquilo que estou comer, iria basicamente garantir grande parte da minha alimentação. A minha casa não tem quintal, logo não tenho condições para ter uma horta/pomar. Por isso tenho duas hipóteses: ou arranjo uma horta/pomar noutro sítio (até poderá ser em casa de familiares que tenham as condições necessárias) ou tento adaptar a ideia à minha varanda. Será sempre uma coisa pequena mas já dá para plantar algumas coisas. E assim, em menos de nada, acabei de tornar este sonho possível (ou pelo menos parte dele)! Vou explorar a sério este assunto e encontrar uma solução :)

Quantos aos restantes “sonhos” basicamente tentei fazer o mesmo: adaptar aquilo que quero à minha realidade actual. A ideia agora é passar à acção e tentar incorporar algumas destas coisas no meu dia-a-dia. Mas como sempre, tudo sem pressas. Afinal a nossa vida é aqui e agora e não no futuro!

E quem sabe se assim devagarinho não encontro a minha "Tailândia"? :)


Viver fora do país ou a minha primeira experiência minimalista

04 setembro 2013



Foi no início de 2009 que tive a minha primeira experiência minimalista (apesar de ainda não saber o que isso era). Vivi do outro lado mundo durante 3 meses com apenas o estritamente necessário.

Levei uma mala que costumava usar para viagens de 15 dias e mais um pequeno saco.

Decidi levar apenas o mais importante e que me iria realmente fazer falta. Não queria ir muito carregada e nem sequer me preocupei em levar as minhas coisas preferidas, pois como tive que fazer várias escalas há sempre a possibilidade de as malas se perderem. 

Não contei, mas a roupa que levei foi certamente menos do que 33 peças. Afinal iria ter máquina para lavar e secar, portanto não iria precisar de muitas mais. As coisas mais importantes foram comigo no avião: o computador (que me permitiu estar sempre em contacto com a família, ouvir música, ver séries e trabalhar), o disco externo onde tinha todo o conteúdo do meu computador pessoal (fotos, música) e o iPod que me permitiu ouvir música e ver algumas fotos durante as viagens.

A casa onde vivi era um T0 com o básico apenas: cama, cómoda e armário para roupa; móvel e tv; uma pequena cozinha com mesa e 2 cadeiras, meia dúzia de pratos, talheres e copos e uma tigela para os cereais; máquina de lavar/secar roupa e um wc (também pequeno e simples).

Talvez tenha sido aqui que o desejo de ter menos despertou, apesar de na altura não ter sentido aquele efeito directo “mal chegue a casa vou livrar-me de tudo o que não me faz falta”. A verdade é que tive muitas saudades das minhas coisas e do meu espaço, portanto tentei compensar um pouco isso quando voltei e nem sequer me passou pela cabeça livrar-me de nada.

Os efeitos foram outros mas igualmente valiosos, passei a dar muito mais importância ao contacto com a natureza (lá fiz imensas caminhadas e tirei muitas fotos), passei a dar mais valor ao meu país (eu que sempre quis viver fora desde que me lembro!), ao sítio onde morava, às pessoas mais próximas, às coisas mais banais que possam imaginar, como por exemplo entrar num supermercado e ver as coisas de sempre (às quais todos estamos habituados). A sensação de ver coisas super diferentes e que não conhecemos pode ser agradável no início, enquanto é novidade, mas depois torna-se um pouco angustiante e foram só 3 meses, nem quero imaginar se tivesse sido mais tempo!

Sem dúvida que ganhei muito com esta experiência, não só a nível profissional, mas também pessoal. Descobri que as coisas mais simples e às quais não ligamos mesmo nada no dia-a-dia são as mais importantes, porque enquanto conseguimos manter o contacto com as pessoas mais próximas, com as coisas do nosso país não há como manter o contacto a não ser através de fotos e usualmente não andamos por aí tirar fotos das coisas mais banais… Às vezes as saudades são tantas que só queremos ver algo que nos é familiar! Tirando essa parte, foi óptimo estar em contacto com uma cultura completamente diferente, ter conhecido pessoas fantásticas, ter falado outra língua e ter aprendido muito sobre mim mesma. Nunca de outra forma teria testado os meus limites, a minha capacidade de adaptação e de lidar com vários problemas e nunca teria percebido o quanto o meu país e os meus me fazem falta. E curiosamente ainda hoje continuo a retirar lições daquilo que vivi... (foi o caso deste post!) Até porque depois de uma experiência como esta nunca conseguimos apreender tudo o que vivemos. 

Ainda bem que o fiz! Voltaria a fazê-lo, não agora, mas naquela altura, que foi sem dúvida a altura certa.

Viver lá fora enriquece-nos muito e é algo que recomendo a toda a gente!

Olá Setembro

02 setembro 2013

... e adeus férias!

Descansei muito, cozinhei muito, li, apanhei sol, corri, caminhei e só não escrevi tanto como gostaria... Andei mesmo ocupada a não fazer nada e soube tão bem!

De volta ao trabalho, chega a vontade de iniciar novas rotinas e experimentar coisas diferentes. Quero arranjar ainda mais espaço para as coisas que me fazem sentir bem e que são importantes para mim. Afinal não podemos deixar essas coisas apenas para as férias...

Quero que seja um mês de novas ideias, novos começos e recomeços.