Onde estou hoje...

11 janeiro 2013


Hoje estou no blog da Rita "The busy woman and the stripy cat":) a contar um bocadinho da minha história...

Olá! Sou a Ana, vivo no Porto, tenho 28 anos e sou vegan. Sempre fui uma pessoa muito organizada. Sempre gostei de listas, de limpezas, de planear as coisas com antecedência e nunca gostei muito de datas pré-definidas para se festejar determinada coisa.

Descobri o minimalismo numa altura em que andava ainda mais virada para a organização. Como tinha mudado de casa para viver com o namorido há relativamente pouco tempo, ainda havia bastantes coisas que queria organizar, nomeadamente coisas antigas que já não usava, mas queria guardar… Tinha até já feito uma lista no site do Ikea com todas as caixas, caixinhas e acessórios que queria comprar… Nessa altura descobri este blog (através de outro penso eu) e fez-se luz!

Comecei a colocar imensas coisas em questão e descobri que o mais sensato era de facto livrar-me de tudo aquilo que queria guardar. Se não ia usar e não, para quê gastar dinheiro em caixas e desperdiçar espaço em casa com isso?! Eu só pensava: “Como é que não me lembrei disto antes?”. A verdade é que não me lembrei e foi graças a este blog que descobri este estilo de vida e muitos outros blogs (sobretudo americanos) sobre o assunto. Outra coisa muito boa é que o minimalismo vai de encontro às preocupações ecológicas que sempre tive e foi também por isso que comecei a usar produtos de limpeza caseiros (sempre o quis fazer mas não sabia bem como…).

Antes de dar início ao verdadeiro destralhamento, comecei por ler muito sobre o assunto (como faço sempre com qualquer tema que me interessa; foi assim que me tornei vegetariana). Só depois comecei a pôr todos os conselhos e teorias em prática. Desde que comecei (está a fazer um ano por esta altura) já me livrei de imensas coisas. Dei mesmo muita coisa a instituições, amigos e familiares, coloquei muitas outras coisas no lixo e vendi outras. Livrei-me de roupa/sapatos/carteiras/acessórios, livros, cds, utensílios de cozinha, objectos de decoração, tapetes, imensos papéis e fotografias, souvenirs e lembranças (que fotografei), contas bancárias, perfis em redes sociais, conteúdo digital, telemóveis antigos e muito mais.

No entanto, fiz as coisas de uma forma gradual, até porque não vivo sozinha. Todos os dias registava novas coisas para arrumar. Sempre que me lembrava de uma zona nova para arrumar ou de algo para dar ia registando no telemóvel, pois não queria deixar escapar nenhuma ideia. Todos os dias, ao final do dia, tinha sempre algo novo para destralhar e isto estendeu-se durante vários meses… Como não vivo sozinha algumas coisas tiveram que ser negociadas e como nem toda a gente é como eu, algumas das coisas estão simplesmente guardadas. Assim continua a ser fácil limpar a casa e como fiquei com muito espaço livre nos armários, posso bem arrumar algumas coisas. Afinal se com o minimalismo se aprende a valorizar as pessoas e as relações em detrimento das coisas, não faz muito sentido nos chatearmos com as pessoas mais importantes por causa das ditas coisas, certo?

Acho que só passado uns três ou quatro meses comecei verdadeiramente a sentir os efeitos deste estilo de vida. Tinha muito mais tempo para mim e para as coisas que mais gosto de fazer e sobretudo (que era um dos grandes objectivos) gastava muito menos tempo a limpar a casa. Quanto ao organizar a casa (refiro-me àquelas grandes organizações que fazemos de x em x tempo, tipo spring cleaning) simplesmente deixei de o fazer! Não se organiza tralha! Em vez de organizar prefiro destralhar! Sei que se sentir a necessidade de organizar algo a fundo então é porque tenho coisas a mais!

Passei também a praticar exercício físico com mais regularidade (que era algo que já não conseguia fazer de forma consistente há muito tempo mesmo), comecei a meditar e a relaxar (coisa que sempre achei impossível pois sempre fui uma pulga eléctrica!), comecei a escrever (algo que já queria fazer há muito tempo) e passei a dedicar-me mais à cozinha (que sempre adorei!).

No fundo descobri mesmo um novo eu! E isto não aconteceu simplesmente porque me livrei de tralha. Aconteceu sobretudo porque a seguir à tralha, vieram os compromissos, as cismas, as histórias do passado, as relações que já não interessam e só nos fazem mal, o ligar ao que os outros pensam… aí sim ainda senti mais os efeitos do minimalismo e por isso não poderia estar mais feliz. Com a correria dos dias vamos acumulando camadas e camadas no nosso ser e o minimalismo permite justamente ir retirando camada a camada e perceber o que é mais importante para nós e aquilo que precisamos de mudar. Para além disso, graças ao minimalismo poupei imenso dinheiro, o que numa altura como esta é mesmo muito bom!

Numa frase posso dizer que me tornei muito mais feliz! O próximo ano será sobretudo para colher os frutos desta mudança e, por isso, será “goal-free” (inspirado por ti e pelo Leo Babauta). Obrigada Rita!

3 comentários:

  1. Adorei a tua história.
    Acredito que estou longe de atingir o minimalismo.
    És um bom exemplo.
    Para mim tem sido difícil alterar hábitos do meu namorido.
    Tens algumas sugestões?
    Grata

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    1. Podes enviar-lhe alguns sites sobre o assunto para ele ir lendo (pode ser que se interesse), convém ser algo leve para ele não se maçar muito. Mostra-lhe os benefícios daquilo que tens feito, na forma como te tens sentido, em como demoras menos tempo a tratar da casa e a manter as coisas e assim tens mais tempo livre para outras coisas e andas menos cansada. Também podes fazer como eu, já que ele não se quer livrar de algumas coisas, arrumas, dizes-lhe que vais guardar e quando quiseres usar vais buscar, para não estarem a acumular pó.
      E depois este estilo de vida também é uma forma de pouparem algum dinheiro, que podem depois gastar em férias ou algo que os dois gostem.
      Acima de tudo vai com calma e tem paciência, vais ver que ele seguirá o teu exemplo :) os hábitos são algo que demora muito a mudar, por isso não desesperes.

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